Teatro e Marionetas de Mandrágora

A Oliveira Milenar

o amor dá lugar à desolação, o nevão dá lugar ao fogo

M.6 . 00h45
Uma casa amarela foi erguida num monte a perder de vista e a família que vive dentro está ameaçada pela construção de uma estrada. Há um espaço que começa a ser esventrado com um pó qualquer de ínfima esperança, que é o que nos faz continuar — apesar do horror.
Nesta casa, todos veem a mesma coisa de forma muito diferente. E isso afasta — e também aproxima.
É um lugar de contrastes. O amor dá lugar à desolação, o nevão dá lugar ao fogo.

Há a dor individual daquela família e há um suposto progresso coletivo na construção de uma estrada que liga dois pontos antes afastados. Esta casa é, para os construtores da estrada, um espaço anónimo. Para quem nela habita, a casa é o seu lar; a estrada é que será o espaço anónimo.
Esta história é cíclica e provoca abissais desencontros. Eu sinto uma experiência de uma forma e não entendo a forma como tu a sentes. Há muitas forças de poder que manietam as ações e abrem espaço à desumanização.
A oliveira milenar tem uma aparente imobilidade e raízes bem assentes face às alterações do espaço e do tempo — o nascimento da casa amarela, a passagem ou a permanência de pessoas. O universo feminino é o centro; há doenças que se tentam curar nas mulheres, como a visão dupla. Quando arrancamos uma planta, vemos as raízes, a interrupção. Mesmo a raiz de um dente: na raiz fica a ausência do que antes foi inteiro. O que é essa ausência numa pessoa desenraizada?
A narrativa é apresentada através da Oliveira Milenar, com constantes atropelos de personagens, como quem quer contar melhor o seu ponto de vista, tentando captar a polifonia do romance. Temos todos muitas vozes na nossa cabeça — as nossas, as dos outros e o seu contrário. E estas vozes tendem a ser contraditórias.
Há avanços e recuos não lineares e um mergulho no inconsciente e na loucura, entre o real — será o real a alucinação de cada um? — e o irreal. Dançamos entre o exterior e o interior. Por um lado, o concreto exterior (até no seu duplo sentido, o de betão); por outro, o devaneio emocional e interior nas cabeças daquela família. Andam entre o sono, o sonho, a vigília e um real difícil de compreender. Com amplitudes emocionais: momentos de festa, de intensa alegria, momentos em que se ama e em que se magoa. As coisas partem-se, quebram-se; estilhaçam-se objetos e ilusões. Procura-se uma primeira ternura, a raiz a que voltar.


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ficha artística

DIREÇÃO ARTÍSTICA Clara Ribeiro
DRAMATURGIA E ENCENAÇÃO Clara Ribeiro
TEXTO ORIGINAL Marta Pais Oliveira
ADAPTAÇÃO DO TEXTO Marta Pais Oliveira
CONSULTADORIA ARTÍSTICA Filipa Mesquita
INTERPRETAÇÃO Clara Ribeiro, Neusa Fangueiro
DIREÇÃO PLÁSTICA enVide neFelibata
MARIONETAS enVide neFelibata
APOIO À CONSTRUÇÃO DAS MARIONETAS Joaquim de Sousa
DESENHO DA CENOGRAFIA enVide neFelibata
CONSTRUÇÃO DA CENOGRAFIA enVide neFelibata, Migvel Tepes
TECIDOS DA CENOGRAFIA Marta Fernandes da Silva
ADEREÇOS enVide neFelibata, Joaquim de Sousa, Migvel Tepes
FIGURINOS Patrícia Costa
MÚSICA CÉNICA Hugo Morango
VÍDEO enVide neFelibata
DIREÇÃO TÉCNICA César Cardoso
DESENHO E OPERAÇÃO DE LUZ César Cardoso
FOTOGRAFIA PROMOCIONAL Ana Filipa Rodrigues
VÍDEO PROMOCIONAL Nuno Pinto
ANIMAÇÃO VÍDEO Pedro Araújo
DESIGN enVide neFelibata
TEXTOS PROMOCIONAIS Clara Ribeiro, Filipa Mesquita, Marta Pais Oliveira
PRODUÇÃO EXECUTIVA Hélder David Duarte
PRODUÇÃO Teatro e Marionetas de Mandrágora
RESIDÊNCIA Academia de Música de Espinho, Fossekleiva Kultursenter
APOIO República Portuguesa - Cultura, DGARTES – Direção-Geral das Artes, Município de Espinho/Câmara Municipal de Espinho, Município de Gondomar
AGRADECIMENTOS Fértil Cultural, Folk & Wild, Franzisca Aarflot, Iain Halket, Niels A. W. Jensen

DOSSIER PROMOCIONAL - PT 1.2 MB
DOSSIER PROMOCIONAL COMPRESSED - PT 455.8 KB

agenda

15 MAI 2026 . SEXTA-FEIRA . 21h30
Academia de Música de Espinho, Espinho, Aveiro■ ■ ■

criação raiz

Projetos de autor que potenciam uma ampla linguagem artística e pretendem garantir a liberdade aos criativos para se desafiarem plástica e dramaturgicamente, bem como na exploração da interpretação, na exploração da arte da marioneta, do teatro de figuras e do teatro de objetos. Estas criações são o reflexo fundamental das preocupações dos seus criadores.
Decidimos por esta designação através da génese do nome que nos dá origem, a Mandrágora, uma planta que muito é associada a um certo misticismo. A raiz é também o ponto de origem da estrutura que de um modo muito multifacetado se vai a embrenhar por diversos caminhos. Somos uma equipa criativa que pondera e analisa as suas preocupações pessoais e também se coloca a diversos desafios que a levam por descobertas que cimentam a arte do teatro e mais em concreto a arte da marioneta.
Mais de duas décadas depois, sobressaiu à tona esta forma e figura, num processo longo de descoberta. Atravessámos criações coletivas, convidámos encenadores e demos voz aos artistas que compõem o núcleo artístico da estrutura. Desta última consideramos que conseguimos alcançar um modo mais clarificador de indicar os potenciais caminhos e percursos de um coletivo composto por escolhas individuais.

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